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sexta-feira, 21 de junho de 2013

UM JEROBOÃO NO BRASIL?

Brasília, 21 de junho de 2013. Por volta das 21 horas, a Presidenta Dilma efetuou um comunicado em rede nacional de rádio e televisão, falando ao povo brasileiro, dentre outras coisas, que está ouvindo os clamores populares emergentes nas atuais semanas, quando milhões de cidadãos foram às ruas reivindicar justiça social e o fim da corrupção, além de outras melhorias.

A mobilização nacional já superou àquela que marcou história no impeachment do Presidente Fernando Collor de Mello, em 1992.

Foi anunciado pela Presidente Dilma que esta reunir-se-á com governadores e outras lideranças, a fim de tomar medidas em resposta aos clamores da população, tais como: aumento nos investimentos em educação, a formação de um plano nacional visando melhorar o transporte público, e a promoção de maior acesso popular às informações de gestão pública, viabilizando aos cidadãos um mais acurado acompanhamento dos procedimentos administrativos de diversas instâncias gestoras da nação brasileira.

A excelentíssima Presidenta da República deixou claro em seu comunicado que reconhece a legitimidade das manifestações populares efetuadas de modo ordeiro e pacífico, e não apenas informou estar ouvindo os clamores populares, mas também disse ser necessária uma "oxigenação" no processo político nacional.

Em linhas gerais, dela ouvimos: a condenação aos atos de violência e depredação ocorridos em meio à maioria pacífica das manifestações populares; a valorização das iniciativas pacíficas; o reconhecimento da necessidade de melhorias na gestão nacional; e o anúncio de medidas, visando atender os clamores populares e melhorar sua condição de vida.

Contudo, a partir da presente data, a nação precisará acompanhar com atenção - e com certeza o fará - o fluxo das medidas tomadas pela Presidenta, e seus resultados. Esses últimos demonstrarão o quanto, de fato, a excelentíssima líder nacional está ouvindo os clamores do povo brasileiro.

As recentes manifestações no Brasil fazem-me recordar de uma passagem bíblica, que relata uma imensa manifestação popular por parte dos israelitas, para cobrar de seu líder mudanças na gestão do reino, especialmente a redução da pesada carga tributária imposta sobre o povo.

A época era por volta do ano 975 a.C. e o soberano chamava-se Roboão, filho do, então recém-falecido rei Salomão. A passagem bíblica está registrada e I Reis 12.

Além dos problemas de gestão do "governo Salomão", havia um problema político que fez com que Jeroboão, homem valente e capaz, um jovem trabalhador, colocado pelo referido rei por chefe sobre a casa de José (I Re 11:28), fosse buscar "asilo político" no Egito, sob a proteção de Sisaque, rei desta nação, após ser ameaçado de morte pelo seu monarca (I Re 11:40).

Roboão, ao encaminhar-se a Siquém, onde todo o povo israelita reuniu-se para fazê-lo rei (I Re 12:1), viu este, na forma de seus representantes, ladeados por Jeroboão, recém-chegado do Egito, proclamar um forte protesto:

"Teu pai agravou o nosso jugo, mas agora alivia a dura cerviz de teu pai, e o seu pesado jugo que nos impôs, e nós te serviremos." (I Re 12:4)

Roboão orientou o povo que partisse e retornasse ao terceiro dia, para ouvir sua decisão. Os conselheiros mais experientes do rei, sensíveis aos padecimentos populares, disseram-lhe:

"(...) Se hoje te tornares servo deste povo, e o servires e, respondendo-lhe, disseres boas palavras, serão teus servos para sempre."

Que orientação recebeu Roboão! Seus conselheiros anciãos tentaram alertar-lhe do sentido real e profundo da liderança: o ser servo, auxiliador dos governados. Tal conselho expressa uma sabedoria divina, e foi ratificado séculos mais tarde por Jesus, que ao instruir a seus discípulos, disse:

"(...) Bem sabeis que os governadores dos gentios os dominam e que os grandes exercem autoridade sobre eles. Não será assim entre vós. Pelo contrário, todo aquele que, entre vós, quiser tornar-se grande, seja vosso servo, e quem dentre vós quiser ser o primeiro, seja vosso escravo..." (Mt 20:24-27).

Contudo, seduzido pela vaidade e pelo autoritarismo, e abandonando o sentido de liderança servidora, Roboão rejeitou o conselho dos conselheiros anciãos, e buscou dos membros mais jovens do conselho uma orientação. Esses propuseram-lhe anunciar ao povo que imporia maior jugo sobre eles que seu pai o fizera.

Pensando repousar sobre a insensibilidade política e a truculência governamental a verdadeira forma de se responder às manifestações populares, Roboão, acolheu o mau conselho e anunciou-o às massas.

A Bíblia de modo quase cinematográfico, registra a resposta popular:

"Vendo o todo o Israel que o rei não lhe dava ouvidos, respondeu-lhe: Que parte temos nós com Davi? Não há para nós herança no filho de Jessé. Às tuas tendas, ó Israel! Cuida agora da tua casa, ó Davi! Então Israel se foi às suas tendas." (I Re 12:16)

Vemos nesse relato três características dignas de destaque: 1) o governante não dava ouvidos ao povo; 2) este não via futuro digno para si na gestão de seu líder; 3) a população, ao ser ignorada, rejeitou o governo de seu líder.

Resultado: o reino foi dividido. Roboão governou sobre duas tribos (Casa de Judá), e as  outras dez tribos (Casa de Israel) foram chefiadas por Jeroboão.

Um bom líder nacional deve ser servo de seu povo, e responder bem às suas justas reivindicações. Essas posturas foram sugeridas pelos anciãos a Roboão.

A Presidenta Dilma, diferentemente de Roboão, afirmou estar ouvindo os clamores populares, e respondeu bem ao povo (no sentido de responder-lhe positivamente). Resta-nos, agora, ver na aplicação das medidas por ela anunciadas, o seu nível de comprometimento com uma liderança servidora para com a nação brasileira.

Por fim, vale ressaltar dois detalhes importantíssimos da história da relação de Roboão com o povo de Israel. O primeiro é que a resposta do referido monarca às massas, e a subsequente divisão de seu reino ocorreram em cumprimento da vontade soberana de Deus, anunciada a Jeroboão por meio de Aías (I Re 12:15). O segundo é o motivo da divisão do reinado: a adoração do povo a Astarote, deusa dos sidônios, a Quemós, deus dos moabitas e a Milcom, deus dos filhos de Amom (I Re 11:33).

Essas características demonstram que os dilemas políticos estão incluídos na soberania Divina, cause isso estranheza ou não a certos leitores. Comprovam também que a não sujeição dos líderes à vontade de Deus invoca a sua ira, a qual também pode acarretar a rejeição popular às lideranças, embora tal insatisfação popular nem sempre aconteça como consequência daquela (a rejeição rebelde de muitos israelitas à liderança de Moisés é uma prova - vide Nm 16). 

Possa Deus guardar a Presidenta Dilma e todos os demais líderes desse país, da não sujeição à Sua vontade, e das péssimas consequências que esta pode causar a eles e à população em geral.

Que a Presidente demonstre ouvir plenamente os brasileiros e governá-los com espírito servidor; caso contrário, poderemos ter em nossa nação o surgimento de um "Jeroboão", ou seja, de uma nova resposta política, emergente do seio popular.

Faz-se necessário que o brasileiro siga exigindo o fim da corrupção, uma gestão pública mais eficiente e transparente, e uma digna qualidade de vida.

Meu querido Brasil: "(...) verás que um filho teu não foge à luta.¹"


Tiago Corrêa


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NOTA
1 - trecho do Hino Nacional Brasileiro.


terça-feira, 4 de junho de 2013

NOVO BLOG SOBRE ADORAÇÃO CRISTÃ


 acaba de lançar um blog voltado às temáticas relacionadas à adoração cristã.

Para acessar a uma apresentação do blog, feita pelo Pastor de Ministérios e Adoração, da Providence Church, em Frisco, Texas, Matt Boswell, clique aqui.

Para visitar o novo blog, clique aqui.

Certamente, muita coisa boa vem por aí!

Abraço!

TC